Vladimir Nabokov

NABOKV-L post 0021264, Sun, 30 Jan 2011 12:00:47 -0200

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[SIGHTING] Nabokov's ape and the limits of languag e, "Behind Bars" by LF Veríssimo
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Luiz Fernando Veríssimo starts his Sunday article by mentioning Lolita and how Nabokov felt inspired after reading about an artistic ape drawings of his cage. He quotes a sentence from "Speak, Memory" ( "Nabokov said that he inhabits 'a zoo of words'.").
For Veríssimo "like the the gorilla, Lolita's narrator writes about his limitations. His real subject is language."
If Humbert Humbert parodies American vulgarity, as it's perceived through the lenses of a European intellectual, he also parodies the European intellectual, lost and ridiculed in the New World, who depreciates himself because of his cultural imposture and guilt.
HH's stylistic paraphernalia serves him as a means to justify an uncommon passion and for nothing else.
When Veríssimo quotes King Salomon (Proverbs 25:2) he doesn't place Nabokov together with God, but in the same category as biblical Kings and some writers, like him. Cf. www.censanet.com.br/noticias/ler/id-1175002/Entre_grades


VERISSIMO - Entre grades - O Estado de S.Paulo - 30/01/11
"O Vladimir Nabokov certa vez deu uma curiosa explicação sobre a origem do seu romance Lolita. Disse que sua inspiração fora a notícia que lera em algum lugar sobre uma experiência feita num jardim zoológico em que ensinaram um gorila a desenhar, e o primeiro desenho feito pelo gorila foi das barras da sua jaula. *** Se Nabokov não estava deliberadamente tentando enlouquecer um entrevistador - afinal, o que o gorila entre grades tem a ver com a história da paixão de um homem mais velho por uma menina de 12 anos, e seu trágico desfecho? - sua resposta pode ter vários significados. Um deles é o confinamento dentro do próprio texto que é a sina de todo autor, mais evidente no caso do narrador de Lolita, um prisioneiro do seu estilo tanto quanto da sua obsessão por ninfetas. Como o gorila artista dentro da sua jaula, o narrador escreve sobre os seus limites. O seu verdadeiro assunto é a linguagem. *** Humbert Humbert, o narrador de Lolita, escreve em vários níveis de paródia. Parodia a vulgaridade americana do ponto de vista de um intelectual europeu mas também faz uma a paródia do intelectual europeu deslocado e ridicularizado no Novo Mundo, em que o autodesprezo pela sua impostura cultural se mistura com a culpa. Mas ele não pode se livrar nem do seu pedantismo nem da sua obsessão. Lolita está cheio de jogos de palavras, imagens preciosistas, símbolos obscuros, referências literárias - toda a parafernália da ostentação intelectual mobilizada para um só fim, o de justificar uma paixão incomum. Tanto o gorila quanto o Humbert Humbert descrevem o que os separa do mundo. *** No livro A Última Tentação de Cristo de Kazantzakis há um diálogo em que um personagem diz a outro que seus olhos não entendem a mensagem de um profeta porque não veem nada além das palavras. "Mas o que as palavras podem dizer? Elas são as não veem nada além das palavras. "Mas o que as palavras podem dizer? Elas são as grades negras de uma prisão onde o espírito grita para ser ouvido." No seu livro Speak, Memory (Fala, memória) o próprio Nabokov diz que está "cativo num zoo de palavras". A ideia das palavras como grades que impedem a expressão do espírito ou como uma insatisfatória seleção sem alternativas de animais atrás das cercas de um zoo deve ter ocorrido a muitos autores. Em toda a fascinante literatura da Clarice Lispector, por exemplo, se repete este choque com o limite da linguagem, esta incapacidade angustiante de dizer o indizível, de ultrapassar as grades. O que se quer dizer está sempre lá fora, além das palavras. *** "A glória de Deus é encobrir, mas a glória dos reis é tudo investigar", disse Salomão (Provérbios 25:2). Substitua-se "reis" por escritores e artistas e sua busca de glória pela investigação de toda a experiência humana e seus mistérios, e chegamos ao Nabokov e seu gorila. Nunca ultrapassaremos as grades. Podemos no máximo sacudi-las com mais ou menos talento ou vigor, mas resignados à ideia de que a verdadeira glória de Deus começa onde termina a linguagem. Pois se trata de um Deus ciumento, senhor de todas as nossas paixões, e indisposto a compartilhar sua glória, ou sua literatura, com quem quer que seja. Mesmo o Nabokov ou a Clarice.
VERISSIMO - O Estado de S.Paulo

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